segunda-feira, 17 de maio de 2010

A teoria humoral

Também conhecida por teoria humoral hipocrática ou galênica, segundo as quais a vida seria mantida pelo equilíbrio entre quatro humores: sangue, fleuma, bílis amarela e bílis negra, procedentes, respectivamente, do coração, sistema respiratório, fígado e baço. Cada um destes humores teria diferentes qualidades: o sangue seria quente e úmido; a fleuma, fria e úmida; a bílis amarela, quente e seca; e a bílis negra, fria e seca. Segundo o predomínio natural de um desses humores na constituição dos indivíduos, teríamos os diferentes tipos fisiológicos: o sanguíneo, o fleumático, ou colérico e o melancólico.

Trechos de "Mestiçagem, degenerescência e crime", de Nina Rodrigues

"A mestiçagem humana é um problema biológico dos mais apaixonantes intelectualmente e que tem o dom especial de suscitar sempre as discussões mais ardentes. [...] O estudo médico da influência degenerativa da mestiçagem é bem mais recente. Morel, criador da noção clínica de degenerescência, a desconhecia. Influenciado pela controvérsia antropológica, muito viva na época em que escrevia, e partidário pessoal e convencido da unidade da espécie humana, não podia conciliar a crença na perfeita viabilidade social do mestiço com o reconhecimento de uma influência degenerativa nos cruzamentos humanos. Foi a psicologia criminal, creio, que acentuou ou afirmou a possibilidade dessa conseqüência do cruzamento. No segundo Congresso de Antropologia Criminal, em Paris, em 1889, Mme. Clémence Royer invocou pela primeira vez a influência desta causa, surpresa que o professor Lombroso tivesse até então omitido a influência degenerativa da mestiçagem na etiologia do crime."